02 abril 2010
(Re)lembrar
Há algum tempo que nos conhecemos, e contigo partilhei momentos hilariantes, tristes, depressivos, entusiásticos, especiais, mágicos e necessários na minha vida.
Na grande maioria das vezes nem eu, nem tu precisávamos de dizer nada, a compreensão surgia apenas pela troca de olhares e pelas mãos dadas. Eu não precisava dizer o que sentia e só de ouvir a tua voz ao telefone eu sabia qual era o teu estado de espírito.
Tu ensinaste-me a amar coisas que eu julgava não ser capaz e reascendeste sentimentos incríveis (que eu julgava mortos), sonhos (que eu já tinha esquecido) e fizeste me lembrar de como é bom ter bom humor e saber rir das próprias estupidezes que digo. Nós passámos horas e horas a conversar sobre tudo, ou nada, e foi bom, muito bom saber que havia no mundo alguém como tu.
Tu estiveste presente em muito sonhos, e apesar de não estar nos meus planos sempre tive a nítida impressão que tu estarias lá. Fizeste-me entender que ás vezes palavras más soltas ao vento magoam corações que não julgamos sensíveis, e fizeste me cair na realidade de que essas mesmas palavras podem ser tão afiadas como navalhas.
Muitas vezes tu fizeste me chorar de alegria, ficar com um sorriso estúpido no rosto, gostar de fazer miminhos no teu cabelo e na tua mão. E fizeste me amar-te como um irmão.
Contigo aprendi que as relações de amizade que julgamos sinceras nem sempre o são mas às vezes precisamos de alguém que esteja a ver do lado “de fora”, para nos abrir os olhos e esse eras tu.
Perdi as contas de quantas vezes me fizeste sentir dor na barriga de tanto rir, e fizeste me redescobrir um talento que eu nem me lembrava que tinha, aliás se estas palavras fluem hoje com tanta facilidade, tu foste o grande responsável por isso com o teu apoio e carinho.
Naquela manhã acordei e olhei para as nuvens brancas, contrastando com o céu azul intenso de primavera, e, melancolicamente, lembrei me de ti, do teu riso, dos teus olhos a brilhar, do teu sorriso estampado no teu rosto quando deixas a vergonha de lado.
E ao chegar lá olhaste me de uma maneira fria e calculista que me fez cair duras lágrimas. E aí lembrei dolorosamente que há muito tempo que nós não nos víamos, que as nossas mãos não se tocam, que não recebo o teu abraço confortável, que não ouço a tua voz a dizer como sou tonta e chata. E eu sei que tem que ser assim, que as coisas um dia mudariam, e que elas mudaram. Não sinto revolta pelo rumo que as coisas tomaram, pois isso foi só a decisão da vida sobre as nossas vidas. Mas hoje, mais do que nunca não consigo suportar no peito esta imensa saudade que sinto de ti. APLMS.
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