27 setembro 2010
Atitude
"(...) É uma decisão interior, capaz de transformar - para melhor - o nosso estado de espírito e a nossa vida. Em vez de concentrar o foco nas dificuldades, focamos as possibilidades. Olhamos a vida como uma grande professora, que a cada instante nos proporciona uma oportunidade de aprendizagem. Mesmo a dor pode ser uma grande professora. Ao passar por uma situação grave, as pessoas tendem a reavaliar suas percepções e reestruturar suas atitudes. A vida torna-se mais viva e saborosa quando passamos a encará-la como uma grande experiência humana de aprendizagem. (...)"
31 julho 2010
15 julho 2010
Gostava que as coisas simples nos invadissem e que somente elas nos fizessem mover. Algo tão simples como falar apenas com uma troca de olhares. Sentir o coração bater com um abraço. O transpirar de mãos dadas. O sal da pele. O cheiro.
Gostava que te deixasses invadir pelas coisas simples e que só elas te fizessem querer-me. Querer a lua deitados na praia. Ouvir o mar de olhos fechados. Sentir o frio da areia nos pés. Sentir o escuro da noite. Sentires-me.
Gostava de me invandir em ti com coisas simples e que só elas me fizessem tocar-te. Eu, tu, o nosso filme e o nosso mundo.
12 julho 2010
Viver ou Morrer
Durante algumas etapas das nossas vidas, ficamos sem orientação, as luzes que nos guiavam entre a penumbra da noite, parecem inesperadamente apagadas, o mesmo que conduzir numa estrada vazia e sombria com a presença total da escuridão sem ter faróis. O que nos conduzia parece dissolver-se proporcionalmente com os segundo que se vão.
Numa dessas etapas, chegamos ao ápice da solidão, então esquecemos as correntes que nos mantêm entrelaçados às nossas realidades. Nesses momentos, todos os medos, fraquezas, fragilidades, aparecem e ganham dimensão. Hostilizados pela nossa própria cobardia. Então somos pacientes de várias patologias, por já termos perdido todos os anticorpos que ainda resistiam.
Consequentemente nascem faces e interfaces, que anunciam a morte da nossa verdadeira identidade, surgindo personalidades que não se consolidam, apenas se moldam conforme as circunstâncias. Levando a associarmo-nos a grupos que dêem o pragmatismo de copiarmos fielmente desde o estilo às suas aspirações, alheias ao nosso “EU”, isso por querermos ser vistos não como somos, mas como queremos ser, e como todos querem que sejamos. Fugimos de nós mesmos, corremos em busca de nos reinventar, pintamo-nos de forma distante da realidade, e quando essa pintura foge dos limites do aceitável declara-se um “estado de guerra” contra nossas emoções, motivado pelo sofrimento de nos vermos realmente como somos, se quer então, escapar automaticamente de um pretérito mais-que-perfeito.
Nessa batalha apenas se padece, apenas se fere, apenas se suicida – a cada dia - um pedaço de nós mesmos, é perdido, é esmagado no meio da nossa intransigência. As lágrimas são o sangue que incontrolavelmente jorra do nosso corpo e alma. A melancolia saúda o desabar das muralhas que estavam abaladas, porém erguidas, cedendo espaço para que feridas ainda maiores apareçam, perdemos assim a noção de tempo e espaço, o rancor é a resposta que damos aos vendavais que presenciamos.
Quando a guerra parece não ter um vencedor, a história parece não possuir um herói e o retrato da vida não parece ter uma imagem, eis que ressurge um único sentimento, a persistência de acreditar que apenas nós, isso mesmo, apenas nós e nós mesmos, somos os únicos transformadores do nosso amanhã, e se caso não for, é melhor morrer de dor.
Igualdade?
Existe um outro modo de exercer a liberdade, à primeira vista menos sublime, mais pobre, mais humilde, mas muito mais frequente, ao fim e ao cabo, e que é de uma imensa fecundidade humana e espiritual: não apenas escolher, mas também aceitar aquilo que não escolhemos.
Jacques Philippe
10 julho 2010
Esteriótipos
Toda a beleza é imperfeitamente bela. Jamais deveria haver um padrão, pois toda a beleza é exclusiva como um quadro de pintura, uma obra de arte.
Augusto Cury
09 julho 2010
The Last Song
"He stared at her, knowing with certainty that he was falling in love. He pulled her close and kissed her beneath a blanket of stars, wondering how on earth he'd been lucky enough to find her."
"I call it God Light, because it reminds me of heaven. Every time the light shines through the window we built or any window at all, you'll know I'm right there with you, okay? That's going to be me. I'll be the light in the window."
"In a lifetime of mistakes, you two are the greatest things that have ever happened to me."
"God, he suddenly understood, was love in its purest form, and in these last months with his children, he had felt His touch as surely as he had heard the music spilling from Ronnie's hands."
"The secret is to know how to lie" he used to say, " and to know when someone's lying to you". His father, Steve eventually decided, must have known how to lie."
"Steve Miller: Sometimes you have to be apart from the people you love, but that doesn't make you love them any less. Sometimes it makes you love them more."
"A story about family, first loves, second chances, and the moments in life that lead you back home"
Simplesmente inesquecivel
08 julho 2010
155
Há promessas que duram uma vida

Separam-nos cento e cinquenta e cinco dias
10 de Dezembro de 2010, eu vou
29 abril 2010
Espaço em branco
"Ás vezes é preciso afastares-te das pessoas que mais amas. Mas isso não quer dizer que as amas menos, ás vezes ama-las ainda mais.."
meus amores, o que construímos foi mágico, perfeito, foi nosso. se pudesse parar o tempo, escolhia ficar com vocês até se fartarem. o orgulho que sinto em vocês é indescritível, não se expressa por palavras, nem por actos, o meu sorriso e a minha alegria quando estou com vocês, é único o que vivemos. as nossas brincadeiras, os nossos abraços, as nossas conversas, as nossas gargalhadas, tudo se desvaneceu por entre os meus dedos e eu não tenho forças para lutar mais. quero que saibam, que aqui e agora, com as lágrimas que me caem a prová-lo, quero dizer-vos que me ensinaram a viver e a ser feliz, o que não nos mata torna-nos mais fortes, sempre fiz tudo para vos ajudar, acreditem que daria a vida por qualquer um de vocês. a nossa união, nem sei bem como começou mas agora ver que tudo cai aos poucos e poucos é horrível. era vossa e embora vocês pudessem não me pertencer, o que guardo de vocês é o melhor, porque foi isso que aprendi convosco. não sei como explicar o que sinto, os dias passam apenas por passar, choro de raiva, por não ter sido capaz de vos retribuir todo o carinho e amor que senti e que me encheram dias e dias de profunda alegria. para acabar e porque não sei como será o dia de amanhã, queria aqui deixar o meu mais sincero obrigado por tudo, garantir-vos que sempre vos irei dar força, estejam onde estiverem, prometer que tudo o que vivemos eu irei reviver vezes e vezes sem conta, e pedir que, por favor, nunca deixem de sonhar e sejam felizes, por mim, por vocês.
Dário Loução, Mónica Marcelino, Jéssica Reis, Patrícia Dias, Inês Fernandes, Sónia Veiga, amo-vos.
Catarina Lourenço
29 de Abril de 2010
08 abril 2010
Diário de uma depressão
4 de Abril de 2010
Sabem aquelas noites em que não se consegue dormir porque a cabeça dá voltas e voltas? Tantas voltas, que acabamos por desistir, sair da cama, e ir para o sofá ouvir música? É uma dessas noites.
02:45
5 de Abril de 2010
A depressão e a solidão perseguem-me há cerca de um ano. Continuo a viver dia após dia. Sinto-me contente por isso, apesar de me sentir sozinha enquanto as outras pessoas seguem estranhamente um rumo diferente. Hoje parei, sentei-me no chão , pus-me a vêr o céu completamente azul e dei por mim demasiado pensativa, depois esses meus pensamentos transformam-se em cisma e é nessa altura que elas me apanham.
Caem sobre mim silenciosas e ameaçadoras como detectives e cercam-me - a depreesão pela esquerda e a solidão pela direita. Não precisam de me mostrar provas, conheço-as muito bem. Há um ano que bricamos ao jogo do gato e do rato. Embora confesse que fiquei surpreendida por encontrá-las naquele lugar, naquele momento. Elas não pertencem ali.
No meu interior, digo-lhes:
- Como é que me encontraram aqui? Quem lhes disse que eu estava aqui?
A depressão, sempre mais cínica, responde:
-O quê? Não estás contente por nos ver?
-Vão-se embora! – grito.
A solidão, mais sensível, diz:
-Desculpa, mas vou ter de te seguir enquanto for mais forte que tu. É essa a minha tarefa.
-Preferia mesmo que não o fizesses – digo-lhe, mas ela encolhe os ombros quase como se pedisse desculpa e limita-se a aproximar-se ainda mais.
A seguir, esvaziam-me os bolsos de qualquer alegria que lá tivesse. A depressão chega mesmo ao ponto de pôr em causa a minha identidade, mas ela faz sempre isso. Depois, a solidão começa a interrogar-me, o que me apavora porque se prolonga sempre horas ou mesmo dias a fio. É educada mas inflexível e acaba sempre por me apanhar em falso. Pergunta-me se tenho conhecimento de alguma razão para estar feliz. Pergunta-me porque estou sozinha ali. Pergunta (embora já o tenha perguntado centenas de vezes ) porque motivo não sou capaz de manter um relacionamento, porque razão estraguei aquilo que me fazia feliz, porque estraguei as coisas com ele e porque estraguei as coisas com as pessoas que passaram pela minha vida. Pergunta-me onde estava no momento em que podia ter escolhido não cometer o maior erro da minha vida e porque razão as coisas se tinham tornado tão dificeis desde então. Pergunta porque não me consigo organizar e porque razão não sou capaz de me levantar e ter aquela conversa necessária para todos. Pergunta-me por que razão exactamente penso que mereço estar livre dela e ser feliz genuinamente quando fui eu própria que dei cabo da minha vida. Pergunta-me porque penso que fugir aos problemas como uma criança pode fazer-me feliz. Pergunta onde penso que irei acabar quando for mais velha e continuar a viver desta maneira.
Regresso a casa, esperando afastá-las, mas aquelas duas estúpidas continuam a seguir-me. Agora sim, a depressão agarra-me firmemente o ombro e a solidão assedia-me com as suas perguntas. Nem sequer me dou ao trabalho de jantar, não quero que me vigiem mais uma vez. Também não quero deixá-las subir as escadas até ao meu quarto, mas conheço a depressão e se que não há como impedi-la de ir se assim o decidir.
-Não é justo virem aqui – digo á depressão. – Já saldei as contas convosco. Cumpri a minha pena durante um ano, já chega por favor.
Mas ela limita-se a brindar-me com aquele sorriso sombrio e instala-se na minha cadeira, põe os pés em cima da mesa e acende um cigarro, enchendo tudo de fumo. A solidão observa e suspira, depois deita-se na minha cama e tapa-se com os cobertores, totalmente vestida. Já sei que vou ter que dormir com ela outra vez esta noite.
6 de Abril de 2010
Pensei em parar de tomar a medicação. Parecia-me uma loucura estar a tomar antidepressivos com a minha idade. Como é que eu podia ficar deprimida com um dia maravilhoso lá fora e uma vida pela frente?
Em primeiro lugar, nunca queria tomar medicamentos. Tinha luado por isso durante tanto tempo, sobretudo devido a uma longa lista de objecções pessoais ( por exemplo, ainda não se conhece os efeitos a longo prazo destes medicamentos no cérebro humano ). Ainda assim, durante este último ano, não havia dúvida de que estava com problemas graves e que estes não iam passar de um momento para o outro. Enquanto o meu interior de dissolvia lentamente e o meu drama com _evoluía, acabava por ter todos os sintomas de uma depressão grave – perda de sono, do apetite, choro descontrolado, dores musculares e de estômago crónicas, alienação e desespero, problemas em concentrar-me na escola ou até mesmo nas tarefas mais básicas (estava a privar-me de mesmo tudo), incapacidade até de me zangar pelo facto de, mais tarde, estar a engordar e o meu corpo estar a perder as formas…e esta lista prosseguia indefinidamente.
Quando nos perdemos em bosques sombrios como estes, por vezes levamos algum tempo a perceber que nos perdemos. Ficamos convencidos de que nos deviámos apenas alguns passos da nossa rota e que a qualquer momento voltaremos a encontrar o caminho certo.
Depois, a noite cai dia após dia e continuamos sem fazer ideia do sítio onde estamos. É nessa altura que admitimos ter-nos desviado tanto do caminho que já nem sabemos onde nasce o Sol.
Aceitei esta depressão como se fosse o combate da minha adolescência e é evidente que o é. Comecei a estudar a minha própria experiência, tentanto identificar as suas causas. Qual a origem de todo este desespero? Seria psicológica? Seria apenas temporal, uma má altura da minha vida? Seria genética? Seria cultural? Seria astrológica? Seria artística? Seria evolucionária? Seria cármica? Seria hormonal? Dietética? Filosófica? Sazonal? Ambiental? Teria um desiquilibrio quimico? Ou precisaria apenas de ficar na cama?
São tantos os factores que constituem um único ser humano. Tantas as influencias que recebemos das nossas mentes, dos nossos corpos, das nossas almas, das nossas familias. Acabei por achar que a minha depressão era provavelmente uma conjugação inconstante de todos esses factores e provavelmente também incluia algumas coisas que não posso agora nomear.
Assim, avancei para o combate em todas as frentes. Comprei todos os livros de auto-ajuda com titulos embaraçosos que consegui encontrar. Comecei a ter ajuda profissional com uma terapeuta que era tão simpática quanto perspicaz. Até rezei. Deixei de comer carne (por pouco tempo). Bebi chás de ervas suficientes para alegrar um russo no inverno mais rigoroso, sem efeitos que se vissem. Fiz exercicio. Expus-me ás artes bem-dispostas e protegi-me cuidadosamente dos filmes, livros e canções tristes (se por acaso alguém mencionasse certos nomes na mesma frase, tinha de sair dali).
Esforcei-me tanto por combater os intermináveis soluços…Uma noite, lembro-me de perguntar a mim mesma, enquanto estava enroscada no mesmo velho canto no mesmo velho sofá, uma vez mais desfeita desfeita em lágrimas devido á mesma velha repetição de pensamentos dolorosos: “Haverá alguma coisa nesta cena que possas mudar, Catarina?” E a única coisa que me ocorreu foi levantar-me, ainda a soluçar, e escrevi. Apenas para provar que, embora não pudesse para de chorar ou alterar o meu triste diálogo interior, ainda não estava totalmente descontrolada: pelo menos, conseguia chorar histericamente pelas palavras. Bom, já é um começo…
Atravessei a rua para caminhar ao Sol. Encostei-me á minha rede de apoio, acarinhando a minha familia e cultivando as amizades mais importantes. E quando as revistas femininas mais metediças me diziam que a minha auto-estima não estava a ajudar a curar a depressão, fazia um novo penteado, comprava maquilhagem mais extravagante e roupa. (Quando algum amigo me cumprimentava pelo meu ‘novo look’, tudo o que conseguia dizer, de forma algo sinistra, era: “Operação auto-estima – dia do engate”.)
Após cerca de um ano a tentar combater esta mágoa, a última coisa que tentei foi a medicação. Se me é permitido dar a minha opinião, acho que deverá ser sempre a última coisa a tentar. Para mim, a decisão por essa via aconteceu depois de uma noite em que me sentei no chão do meu quarto durante muitas horas com uma faca. Nessa noite, ganhei a discussão, mas foi por pouco. Tinha outras ideias igualmente boas na altura, por exemplo, achava que saltar de uma varanda ou entrar no mar e desaparecer poderia acabar com o meu sofrimento. Mas houve alguma coisa no facto de ter passado uma noite com uma faca na não que teve o mesmo efeito.
Na manhã seguinte, disse á minha mãe e implorei-lhe que me ajudasse. Não creio que haja em toda a história da minha familia uma mulher que alguma ves tenha feito isso antes, se tenha sentado no meio da estrada desta forma e tenha dito, não consigo dar mais um passo. Preciso de alguém que me ajude. De nada teria servido a essas mulheres terem deixado de andar. Ninguém as teria ajudado nem poderia tê-lo feito. Não conseguia parar deixar de pensar nessas mulheres.
E nunca esquecerei a cara da minha mãe quando chegou a correr ao meu quarto cerca de uma hora depois do meu pedido de ajuda e me viu deitada na cama. A imagem da minha dor reflectia-se no visivel receio que ela tinha pela minha vida continua a ser uma das memórias mais assustadoras destes meses terriveis. Enrolei-me numa bola enquanto a minha mãe fazia telefonemas para encontrar um médico que recomendasse um psiquiatra que me desse consulta no dia seguinte para discutir a possibilidade de me pescrever antidepressivos. Ouvi a conversa da minha mãe com a o médico, ouvi-a a dizer: “Tenho medo que a minha filha se venha a magoar com gravidade.” Eu também tinha medo.
Quando fui ao psiquiatra, ele perguntou-me porque levara tanto tenpo a pedir ajuda – como se eu não me tivesse tentado ajudar a mim mesma durante todo este tempo. Falei-lhe das minhas objecções e reservas em relação aos anti depressivos. Pus-lhe cópias das minhas notas em cima da secretária e disse:
-Quero ser médica. Por favor, não faça nada que possa prejudicar o meu cérebro.
Ele disse:
- Se tivesse uma doença renal, não iria hesitar em tomar medicamentos para isso. Porque razão hesita em relação a esta?
Prescreveu-me vários medicamentos diferentes. Em menos de uma semana, consegui sentir um bocadinho mais de luz dentro de mim. Além disso, consegui finalmente dormir. E esta foi a grande dádiva, porque quando não se consegue dormir não se consegue sair da fosse, não há hipótese. Os comprimidos devolveram-me essas retemperados horas de sono e também fizeram com que as minhas mãos parassem de tremer, e libertaram a opressão que sentia no peito e o botão de alarme de pânico de dentro do meu coração.
Ainda assim, nunca me senti completamente á vontade a tomar estes medicamentos, embora o alívio tenha sido imediato. Idependentemente de quem me disesse que tomá-los era boa ideia e que são perfeitamente seguros, a verdade é que me sinto dividida em relação a isso. Não há dúvida que estes medicamentos fazem parte da minha ponte para o outro lado, mas quero ver-me livre deles assim que possível. Comecei a tomar a medicação no ínicio de Março, mas uma semana depois diminui significativamente a dose, não porque assim me tinham dito para fazer, mas porque tinha medo. Estes últimos meses têm sido os mais duros, os meses seguintes a um momento de loucura, os últimos meses com ele. Conseguiria eu ter suportado estes tempos sem os medicamentos, se tivesse aguentado um pouco mais? Conseguiria eu ter sobrevivido sozinha? Não sei. É isso que acontece com a vida humana – não há grupo de controlo, não há forma de alguma vez saber o que teria acontecido a qualquer um de nós se tivessem sido alteradas algumas coisas.
O que sei é que estes medicamentos fazem com que o meu tormento pareça menos catastrófico. Portanto, estou grata por isso. Mas aida me sinto profundamente reticente em relação a medicamentos que alteram o humor. Fico fascinada com o seu poder, mas preocupa-me a sua prevalência. Penso que devem ser prescritos e usados com a mior das responsabilidades assim como nunca sem o tratamento paralelo admistrado por um psicólogo. Medicar o sintoma de qualquer doença sem explorar a sua causa é uma forma tipicamente usual de pensar que alguém pode vir realmente a melhorar assim. Estes comprimidos podem ter salvo a minha vida, mas só o fizeram em conjunção com mais uns vinte esforços que eu estou a fazer em simultâneo durante este período para me recuperar, e espero nunca mais ter de voltar a tomar estes medicamentos. Embora o médico me tenha sugerido a hipótese de eu ter de recorrer muitas vezes aos antidepressivos ao longo da vida por causa de minha tendência para a melancolia. Espero que esteja enganado. Tenciono fazer tudo o que for possível para mostrar que ele estava enganado ou, pelo menos, para combater essa tendência para a melancolia com todas as armas que tiver. Não sei dizer se isso faz de mim uma teimosa com um sentimento de frutração ou uma teimosa com sentido de autopreservação.
Mas aqui estou eu.
7 de Abril de 2010
A depressão e a solidão intrometeram-se novamente na minha vida e eu tomei o meu último comprimido forte hoje. Há mais comprimidos numa gaveta, mas não os quero. Quero livrar-me deles para sempre. Mas também não quero a depressão e a solidão a rondar-me, por isso não sei o que fazer e estou a entrar em pânico, como sempre acontece quando não sei o que fazer. Portanto o que faço esta noite é agarrar no meu bloco de apontamentos privado, que tenho junto á cama para inspirações de desabafos de emergência. Abro-o e procuro a primeira página em branco. Escrevo: Preciso da tua ajuda.
Depois, fico á espera. Após algum tempo, escrevo a resposta que queria que ele me dissesse: Estou aqui. O que posso fazer por ti?
E aqui recomeça a minha conversa mais estranha e mais secreta. É aqui, neste bloco de apontamentos privado, que converso com ele, ou pelo menos, converso com a pessoa que conheci e que me fazia feliz. Converso com a mesma voz que me transmitia segurança quando, por entre lágrimas, pedi pela primeira vez uma decisão da parte dele e quando algo (ou alguém) me disse: Desiste disto, é uma luta perdida, Catarina. Nos dias seguintes, voltei a encontrar a sua voz (apenas a voz) em momentos de aflição e aprendi que a melhor forma de chegar até ela era pelo meio da escrita. Fiquei surpreendida por descobrir que quase sempre consigo aceder a ela, independentemente do meu grau de angústia. Mesmo durante o pior dos sofrimentos, aquela voz calma, compassiva e afectuosa está sempre disponível para uma conversa no papel em qualquer altura do dia ou da noite.
Decide deixar de me preocupar com o facto de que conversar com outra pessoa no papel, ouvir a sua voz, ou senti-la possa ser sintoma de alguma doença associada á depressão. Talvez a voz que alcanço seja a minha força e raiva, ou talvez seja um modo de me proteger da dura realidade, ou entao que não passe realmente de um distúrbio do meu subconsciente, causado pela soberba necessidade que eu tenho de me proteger do que dia após dia acontece em relação a esta pessoa. “A experiência ensina-nos que o mundo não é um infantário.” Estou de acordo – o mundo não é um infantário. Mas precisamente o facto de pelos menos o meu mundo ser tão desafiante é exactamente a razão para ás vezes termos de sair do meu mundo para procurar ajuda, para o procurar a ele, a sua voz, suplicando que me conforte e me abrace. No início, nem sempre tive tanta disponibilidade para revelar isto. Lembro-me de uma noite ter agarrado no meu bloco de apontamentos num assomo de fúria e mágoa e ter rabiscado uma mensagem para ele – estranhamente, para meu conforto – que ocupou uma página inteira com letras enormes: NÃO ACREDITO EM TI!
Após um momento, ainda respirando pesadamente, senti um ponto de luz a acender dentro de mim e dei por mim a escrever esta resposta calma e divertida: Então com quem é que estás a falar?
Desde então, não voltei a duvidar que o espírito dele está comigo. Por isso, esta noite, volto a recorrer á sua voz. Foi a primeira vez que o fiz desde que o vi pela última vez. Aquilo que escrevo esta noite no meu ‘diário’ é que me sinto frágil e cheia de medo. Explico que a depressão e a solidão apareceram e que estou apavorada com o facto de nunca mais se irem embora. Digo que não quero tomar mais medicamentos por tudo o que me estão a causar, mas estou assustada com a possibilidade de ter de o fazer. Tenho pavor de nunca chegar realmente a recompor a minha vida.
Como resposta, algures dentro de mim, ergue-se a sua presença, já familiar. Ele oferece-me todas as certezas que sempre desejei que me tivesse dado quanto me sentia perturbada. Foi isto que escrevi naquela página (e no fundo era isto que eu queria que ele me disesse pessoalmente): Estou aqui e amo-te. Não me importo se precisares de chorar a noite inteira, ficarei contigo. Se precisares outra vez dos medicamentos, vai em frente, toma-os – continuarei a amar-te da mesmaforma. Se não os tomares também te amarei. Não há nada que possas fazer para perderes o meu amor. Proteger-te-ei até morreres e continuarei a proteger-te depois da morte. Sou mais forte do que a depressão e mais corajoso que a solidão e nunca haverá nada que me faça desaparecer.
Esta noite, este estranho gesto – a mão que ele me deu, ofereceu-me consolo – lembra-me os bons momentos que passámos.
Adormeço segurnado o bloco de apontamentos contra o peito, aberto nesta certeza recente. De manhã, ao acordar, ainda consigo sentir o ténue vestígio do fumo da depressão, mas ela já não está ali. Levantou-se e saiu durante a noite. E sua amiga solidão foi com ela.
02 abril 2010
(Re)lembrar
Há algum tempo que nos conhecemos, e contigo partilhei momentos hilariantes, tristes, depressivos, entusiásticos, especiais, mágicos e necessários na minha vida.
Na grande maioria das vezes nem eu, nem tu precisávamos de dizer nada, a compreensão surgia apenas pela troca de olhares e pelas mãos dadas. Eu não precisava dizer o que sentia e só de ouvir a tua voz ao telefone eu sabia qual era o teu estado de espírito.
Tu ensinaste-me a amar coisas que eu julgava não ser capaz e reascendeste sentimentos incríveis (que eu julgava mortos), sonhos (que eu já tinha esquecido) e fizeste me lembrar de como é bom ter bom humor e saber rir das próprias estupidezes que digo. Nós passámos horas e horas a conversar sobre tudo, ou nada, e foi bom, muito bom saber que havia no mundo alguém como tu.
Tu estiveste presente em muito sonhos, e apesar de não estar nos meus planos sempre tive a nítida impressão que tu estarias lá. Fizeste-me entender que ás vezes palavras más soltas ao vento magoam corações que não julgamos sensíveis, e fizeste me cair na realidade de que essas mesmas palavras podem ser tão afiadas como navalhas.
Muitas vezes tu fizeste me chorar de alegria, ficar com um sorriso estúpido no rosto, gostar de fazer miminhos no teu cabelo e na tua mão. E fizeste me amar-te como um irmão.
Contigo aprendi que as relações de amizade que julgamos sinceras nem sempre o são mas às vezes precisamos de alguém que esteja a ver do lado “de fora”, para nos abrir os olhos e esse eras tu.
Perdi as contas de quantas vezes me fizeste sentir dor na barriga de tanto rir, e fizeste me redescobrir um talento que eu nem me lembrava que tinha, aliás se estas palavras fluem hoje com tanta facilidade, tu foste o grande responsável por isso com o teu apoio e carinho.
Naquela manhã acordei e olhei para as nuvens brancas, contrastando com o céu azul intenso de primavera, e, melancolicamente, lembrei me de ti, do teu riso, dos teus olhos a brilhar, do teu sorriso estampado no teu rosto quando deixas a vergonha de lado.
E ao chegar lá olhaste me de uma maneira fria e calculista que me fez cair duras lágrimas. E aí lembrei dolorosamente que há muito tempo que nós não nos víamos, que as nossas mãos não se tocam, que não recebo o teu abraço confortável, que não ouço a tua voz a dizer como sou tonta e chata. E eu sei que tem que ser assim, que as coisas um dia mudariam, e que elas mudaram. Não sinto revolta pelo rumo que as coisas tomaram, pois isso foi só a decisão da vida sobre as nossas vidas. Mas hoje, mais do que nunca não consigo suportar no peito esta imensa saudade que sinto de ti. APLMS.
01 abril 2010
Até quando?
Nunca chorei tanto como nos últimos tempos em que adormeço e acordo com fios colados à cara que se encontram num mesmo caminho que vai dar ao mar. A tristeza é um vício mas eu não me vou viciar nela, lamento. É por isso que todas as manhãs, olho para os dias e tento enchê-los sem me lembrar que cada peça está fora do sítio e que eu não consigo encontrar o sítio certo.
A vida é isto: uma viagem permanente e inesperada.
Confusões e confusões na nossa cabeça que nos tiram o sono e o apetite, nos põem a contar as estrelas e a escrever poemas pirosos, nos fazem rezar mesmo quando já deixamos de ir à missa desde os doze anos, nos adoçam o coração e o olhar e enchem a almofada de água salgada, sim tudo isto porque tudo nos corre mal ou ainda pior as vezes as coisas nem correm.
Até quando ?
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